08 - FILOSOFIA DA CAIXA PRETA - CAPÍTULOS IV, V e VI

Dando sequência à análise do livro "Filosofia da Caixa Preta", no parágrafo "O Gesto de Fotografar", Fusser introduz o ato da fotografia e como ele é moldado pelo aparelho. Apesar de achar que está controlando-o ao alterar suas "configurações", se o nome é "configurações", significa que elas já vem de certa forma, pré-determinadas. Dessa forma, a própria escolha do fotógrafo funciona em função do programa do aparelho. Seguindo esse raciocínio nos deparamos com o conflito das imagens tradicionais para as imagens técnicas, sendo as primeiras produzidas manualmente e as segundas as produzidas por aparelhos, ou seja, produzidas por aparelhos, não por nós de fato. Essa dependência da máquina gera uma alienação do produtor em relação ao processo, prejudicando o processo criativo. Além do mais, por conta de sua origem, as imagens técnicas tem a capacidade de condicionar e mudar a maneira como experimentamos a realidade, visto que assim, elas têm o poder de a construir. A partir disso, as imagens passam a ter um poder de hegemonia, de forma que seu poder ultrapassa a realidade, visto que as pessoas passam a viver a realidade por meio da visualização das imagens. Trazendo para os dias de hoje, podemos comparar com o Instagram, no qual a experiência de ver as fotos supera a própria experiência. Além disso, ainda naquela época, Fusser decifrou aquilo que hoje chamamos de "romantização da realidade"; a ideia de embelezar a realidade mais daquilo que ela realmente é por meio da imagem, além disso, atualmente, ainda existe a seletividade da postagem, em que só a mais das mais perfeitas das fotos cai na rede, seja do rosto, seja da paisagem. Por fim, as imagens ainda possuem o poder sociocultural, a medida que representam a realidade, a controlam e a moldam, consequentemente vão refletir nas pessoas culturalmente, alterando a forma como vemos o mundo e também nos vemos. Portanto, é relevante refletir o papel do fotógrafo como programador, ao invés de ser apenas aquele que opera a máquina, é importante que entenda os códigos da programação, podendo ter controle da ação e contribuindo para que essa distorção da realidade não ocorra, ou se ocorrer, que seja consciente e não abrubta.

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