06 - FILOSOFIA DA CAIXA PRETA - PARÁGRAFO SOBRE CAPÍTULOS I, II e III

FILOSOFIA DA CAIXA PRETA - PARÁGRAFO SOBRE CAPÍTULOS I, II e III 

No livro "Filosofia da Caixa Preta", 1985, no primeiro capítulo "A Imagem", Flusser começa a abordar a ideia do que é imagem, tanto em conceito, quanto no modo abstrato. Ele trata dos métodos que utilizamos para analisar uma imagem e como essa escolha pode afetar na forma que nós a absorvemos em termos de interpretação. Por exemplo, ele menciona que para aqueles que possuem a intenção de aprofundar nesse significado, devem se permitir "vaguear" pela superfície daquela imagem, realizando o famoso "scanning"  e não apenas a visualizá-la. Ele também traz a noção de que a imagem foi feita para representar o mundo e como às vezes as pessoas invertem esse processo, enxergando o mundo a partir das imagens e como o "impulso íntimo do observador" pode ser capaz de moldar a sua visão. Em suma, se presencia a discussão do duelo entre a construção da realidade e a percepção das imagens por cada um, dessa forma, a maneira como algo é apresentado enviesa a forma de interpretação, ou seja, ocorre como uma forma de manipulação. A partir disso, ele migra para a "Imagem Técnica", onde analisa o poder da produção e reprodução das imagens, trazendo como discussão a ideia de que as imagens não são formuladas de maneira neutra e são formadas a partir da escolha técnica e estética, ou seja, tem um objetivo específico trazido por um indivíduo ou grupo em questão. Sendo assim, aquela imagem terá o poder de destacar e ocultar aquilo que convém para quem a produz e isso vai influenciar diretamente a interpretação de quem a consumir. E como a imagem técnica tem essa idealização de ser uma "janela" da realidade, "o observador confia nas imagens técnicas tanto quanto confia em seus próprios olhos" e assim se torna abstratamente cego para imaginar por si só. Em "O Aparelho", Fusser segue complementando essa ideia de manipulação, agora trazendo como foco as tecnologias e ferramentas usadas para tal. Ele contextualiza a Revolução Industrial, momento crucial quando tratamos de "máquinas", onde vemos a relação do homem com elas se inverter, tal como ele diz "antes os instrumentos funcionavam em função do homem; depois grande parte da humanidade passou a funcionar em função das máquinas". Mas então temos a função do fotógrafo, que tem como objetivo esgotar as funcionalidades do aparelho e usá-lo ao seu favor. Trazendo o conceito da "Caixa Preta", ao mesmo tempo que ele domina suas funções superficiais, por ela também é dominado porque não se sabe por completo o que se passa dentro dela, no caso, da máquina. E esta máquina em primeiro lugar cumpre o desejo de um sistema maior, a indústria que se move baseada em aspectos sociais, culturais e econômicos. Por conseguinte, atinge-se a premissa de que "quem possui o aparelho não exerce o poder, mas quem o programa e quem realiza o programa" ou seja, temos a falsa sensação de dominar os aparelhos, mas eles que nos dominam. Esse jogo entre tecnologia, cultura e poder, nos faz refletir quais as narrativas que estamos consumindo e como nosso senso crítico tem sido afetado por elas. Dessa maneira, precisamos nos tornar cientes daquilo que consumimos e como absorvemos seus significados.

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